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Sustentabilidade: o que é, o que não é?

Por Edson Grandisoli, Diretor Educacional da Escola da Amazônia.
Nesses anos trabalhando com o tema da sustentabilidade tenho ouvido de forma bastante recorrente a seguinte questão: “Você trabalha com sustentabilidade. Que bom… Mas o que é sustentabilidade?”

Confesso que a pergunta me perturba até hoje, porém um pouco menos que antigamente.
Autossustentável: O que é Sustentabilidade?
O termo sustentabilidade nasceu da adjetivação do conceito original de “desenvolvimento sustentável”, que tem sido historicamente muito criticado, pois associa ao termo “sustentável” um modelo de desenvolvimento pautado na competição, na exploração desenfreada de recursos e das pessoas, na acumulação e que não se preocupa com o presente e, muito menos, com o futuro. Nesse caso, ainda permanecemos apoiados no velho modelo de crescimento.
“Sustentabilidade”, somente, tem relação com o verbo “sustentar” (do latim sustentare) que, no dicionário Michaelis, está relacionado com manutenção, amparo, equilíbrio, conservação da vida, etc.
Minha busca em diversas fontes sobre o que é “sustentabilidade” tem demonstrado que a resposta mais comum é que não existe uma única definição para o conceito. John Huckle e Stephen Sterling em seu clássico Education for Sustainability (1996)[1], já diziam que:
“Like liberty, justice and democracy, sustainability has no single and agreed meaning”[2]
Para algumas pessoas, entretanto, a ausência de definição parece constituir uma barreira, que impede que o tema seja trabalhado ou discutido em qualquer nível. Vejo isso acontecer com frequência com alguns educadores, os quais consideram o tema relevante, mas não têm conseguido caminhar na discussão do tema com seus estudantes. Nesse caso, sugiro que a necessidade por uma definição de “sustentabilidade” seja substituída por uma pergunta: “A que você e seus estudantes associam o conceito de sustentabilidade?”
Pessoalmente e, apesar da meramente teórica, nunca deixei de acreditar que “sustentabilidade” está associada algo positivo, que permite a construção de uma visão mais integrada e íntegra sobre o planeta, a sociedade e suas interações complexas, e que ela (sustentabilidade) deve garantir a criação de um modelo de perpetuação, não somente da nossa espécie, mas de toda a biodiversidade, do planeta e todos os seus processos.
Atribuir um significado, uma conexão, é muito mais relevante que a busca por uma definição. Para alguns, essa conexão está no ato de economizar água e energia; para outros ela está na preservação da cultura de povos tradicionais e na busca por modelos econômicos mais justos e inclusivos; para outros ainda ela reside em um plano espiritual, de autoconhecimento e busca da felicidade. Tudo bem, seja qual for a associação, o importante é que ela descortine um caminho que leve a ação, ao pensar e fazer diferente, e que esse pensar e fazer gere o bem para muitos.
Sendo assim, mãos à obra. Mais importante que teorizar é buscar a sustentabilidade, seja ela o que for para você.

PS: O título desse artigo é uma singela homenagem a Leonardo Boff e toda sua inestimável contribuição ao tema da Educação e Sustentabilidade.
[1] O livro de Huckle e Sterling está disponível na íntegra no Google Books. Recomendo!
[2] Como liberdade, justiça e democracia, sustentabilidade não tem significado único e acordado.

Read more: http://www.autossustentavel.com/2014/03/sustentabilidade-o-que-e-o-que-nao-e.html#ixzz2wXw8G9WA

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Sustentabilidade e Escola, artigo de Edson Grandisoli

Edson Grandisoli, Diretor Educacional da Escola da Amazônia, publica artigo sobre sustentabilidade e escola.

“Uma das boas notícias anunciadas pelo MEC em junho foi o investimento de R$ 100 milhões em um programa destinado à criação de ações sustentáveis em 10 mil escolas de ensino básico em 310 cidades espalhadas pelo país. Segundo o ministério, o Programa Dinheiro Direto na Escola – Escola Sustentável apoiará projetos que promovam ações voltadas à melhoria da qualidade de ensino e a sustentabilidade socioambiental do espaço escolar. É uma tentativa de fazer com que as escolas se tornem espaços educadores sustentáveis considerando sempre intervenções dentro do tripé espaço físico–gestão­–currículo.

Há inúmeras definições sobre o que seria uma escola sustentável, mas é justamente neste tripé que reside uma explicação detalhada que as escolas aderentes ao programa deverão atentar. Primeiro, com o uso de um espaço físico que cuida e educa, em que as construções tenham um maior conforto térmico e acústico, a energia e a águã sejam usadas de forma eficiente. Em seguida, com uma gestão que encoraje relações de respeito à diversidade e que seja mais democrática e participativa. Por último, a adoçãm de um currículo que estimule a visão complexa da educação integral e sustentável, estimulando a responsabilidade e o engajamento individual e coletivo na transformação local e global.”

Leia o artigo na íntegra clicando no link abaixo.

http://porvir.org/porfazer/sustentabilidade-escola-uma-dupla-de-futuro/20130701

Manejo de fauna, manejo de gente

Por Silvio Marchini, publicado no Oeco no dia 14 de março de 2012

Onça parda (puma concolor) pega por armadilha fotográfica. Ela assusta e, por isso, é pouco popular. foto: ecotropica.org.br

Os problemas que a conservação e manejo da fauna silvestre se propõem a resolver não são, em última análise, problemas com a fauna e sim, problemas com as pessoas.

O processo de tomada de decisões acerca da conservação e manejo da nossa fauna silvestre tem tido como base dois preceitos fundamentais: a suficiência da biologia e a autoridade do especialista. Em outras palavras, assume-se que a contribuição exclusiva da biologia garanta as melhores decisões de conservação e manejo e que, consequentemente, tais decisões devam ser tomadas por especialistas em ciências biológicas (biólogos e também veterinários, agrônomos e engenheiros florestais), em virtude de seu treinamento e experiência nessa área.

A aplicação desses preceitos trouxe resultados expressivos. No entanto, a fauna silvestre continua ameaçada por atividades humanas e, agora com um fator complicante, as opiniões e interesses do público leigo acerca do assunto estão cada vez mais fortes e diversificados. À medida que a sociedade se segmenta em grupos com interesses cada vez maiores e mais variados (e eventualmente conflitantes!) em relação ao uso e conservação dos recursos naturais, o manejo da fauna silvestre deverá se beneficiar de uma base mais ampla de fundamentos, que contemple a necessidade de integração entre múltiplas disciplinas e o desejo de diferentes setores da sociedade de participar das decisões.

CLIQUE AQUI para ler o artigo na íntegra

A onça pintada vai à escola

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Por Silvio Marchini, publicado em Oeco em 1 de fevereiro de 2012.

Crianças na sala de aula de uma escola rural na fronteira de desmatamento da Amazônia não costumam ser vistas como potenciais aliadas na conservação da biodiversidade. Elas ainda não tomam decisões sobre o uso dos recursos naturais. Isso quem faz são seus pais. Só o que normalmente se espera delas é que – algum dia – se tornem adultos que ajam de forma mais ambientalmente correta. Neste cenário, muitos educadores ambientais esperam que seus esforços em sala de aula no presente se traduzam em benefícios para a biodiversidade apenas na próxima geração de tomadores de decisão.

O Projeto Conviver Gente e Onças, no entanto, mostra que a educação pode trazer resultados imediatos. Ele foi desenvolvido em Alta Floresta, no Mato Grosso, e surgiu em resposta ao abate de onças pintadas, o que, juntamente com o desmatamento, é uma grave ameaça a esta espécie de nossa fauna que desperta interesse e emoções tanto em crianças quanto em adultos – da Amazônia rural aos grandes centros urbanos, é o primeiro animal que vem à cabeça quando se pensa em floresta. Além disso, todos têm algum sentimento por ela: admiração, fascínio, medo ou raiva, ou tudo isso ao mesmo tempo.

O projeto faz uma contribuição relevante para o tema da aprendizagem entre gerações, revelando o potencial das crianças como interlocutores entre os conservacionistas e as comunidades rurais na fronteira de desmatamento da Amazônia. Os resultados – cujos dados foram obtidos em um experimento científico rigorosamente elaborado e conduzido – sugerem que crianças podem transferir para seus pais certas mudanças de atitudes obtidas em sala de aula e, dessa forma, modificar a curto prazo os comportamentos que atualmente ameaçam a biodiversidade na Amazônia.

CLIQUE AQUI para ler o artigo na íntegra em Oeco.

Educação para a Sustentabilidade

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por Edson Grandisoli

Publicado no site ENVOLVERDE28-07-2011

Como liberdade, justiça e democracia, sustentabilidade
não possui um significado comum a todos
.”
John Huckle – Education for Sustainability (2001).

O conceito

A palavra sustentabilidade tem sido utilizada nos últimos anos nos mais diferentes contextos e propósitos. Por esse fato, muitos autores têm afirmado que falar em sustentabilidade simplesmente perdeu o sentido, ou seja, se tornou apenas mais um jargão em discursos politicamente corretos.

Leonardo Boff, um dos participantes na elaboração da Carta da Terra, afirma que “se a sustentabilidade representa o lado mais objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota mais seu lado subjetivo: as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo, sem os quais a própria sustentabilidade não acontece ou não se garante a médio e longo prazos”.

As palavras de Boff trazem consigo uma das características centrais do conceito de sustentabilidade: a complexidade. O conceito moderno de sustentabilidade engloba, ao mesmo tempo, aspectos econômicos, sociais, ambientais, éticos, étnicos, políticos, culturais e comportamentais, os quais devem interagir de forma harmônica a fim de garantir a continuidade da vida no planeta, incluindo a nossa própria. Dessa forma, o conceito de sustentabilidade tornou-se a palavra de ordem – e a tábua de salvação – em quase todos os assuntos relacionados ao ser humano, seu ambiente, sua sociedade, sua economia, etc.

Dentro desse panorama, não é a toa que a palavra pode ter perdido seu significado original ao longo do tempo.

Entendendo sustentabilidade

A sustentabilidade tem ganhado espaço dentro da realidade de algumas poucas escolas no Brasil. As restrições do currículo atual, a falta de preparo específico e a grande amplitude do tema talvez sejam apenas alguns dos motivos por trás desse fato.

Na prática escolar, as possibilidades de trabalho com temas relacionados à sustentabilidade são quase infinitas. Mas afinal, como trabalhar com sustentabilidade na escola?

Movido por essa questão, em 2010, tive o privilégio de desenvolver, como consultor em conjunto com um grupo interdisciplinar de professores, um questionário com 40 questões (abertas e fechadas) sobre sustentabilidade, que foi aplicado a 113 estudantes do Ensino Fundamental II (6º a 9º anos) de uma grande escola paulistana. O objetivo do questionário foi investigar de forma mais consistente o que os jovens pensam e entendem sobre sustentabilidade e quais suas atitudes e comportamentos relacionados a ela. Considerei esse passo de investigação fundamental antes de iniciarmos qualquer tipo de intervenção em sala de aula ou fora dela.

Os resultados foram bastante animadores e gostaria de compartilhar alguns deles.

Na primeira seção do questionário, procuramos investigar como a sustentabilidade está presente no imaginário dos estudantes. Encontramos que:

•96% já ouviram falar em sustentabilidade;

•65% não estão inteiramente certos de seu significado;

•91% acreditam que todos deveriam agir de forma sustentável.

Logo de saída foi possível detectar uma aparente contradição relacionada à sustentabilidade. A grande maioria dos estudantes acredita que é importante agirmos de forma sustentável, mesmo sem saber exatamente o que é sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que essa contradição parece negativa do ponto de vista conceitual, ela indica que o termo sustentabilidade está associado a algo positivo, que deve ser buscado e alcançado por todos.

Na segunda seção, procuramos investigar mais profundamente a compreensão dos estudantes relacionada ao conceito de sustentabilidade em si. Descobrimos que:

•71% acreditam que sustentabilidade tem como objetivo a preservação do meio ambiente e seus recursos naturais;

•Apenas um estudante apontou a si mesmo(a) como protagonista no processo de transformação do mundo em um lugar mais sustentável.

A forte associação entre sustentabilidade e preservação do meio ambiente não foi surpresa. Os melhores e mais divulgados exemplos de sustentabilidade sempre – ou na grande maioria das vezes – estão associados a uma vertente ambientalista/preservacionista/conservacionista, o que acaba resumindo o conceito de sustentabilidade a modos de melhorar a relação entre ser humano e natureza. Esse resultado vai ao encontro das ideias de Ricketts (2010), que afirma que historicamente o conceito de sustentabilidade nasceu de uma combinação de ideias e ideais do ambientalismo.

Por outro lado, apesar da visível preocupação com as questões ambientais presente no currículo escolar e documentos oficiais que norteiam nossa educação básica, as questões relacionadas à responsabilidade individual e cidadania ainda parecem distantes do pensamento e sentimento da esmagadora maioria dos estudantes avaliados. Somente um único estudante citou a si próprio(a) como responsável por tornar o mundo um lugar mais sustentável, ou seja, a responsabilidade e protagonismo está nas mãos de atores como o governo, as ONGs e os donos de indústrias, por exemplo. Esse distanciamento do papel de cidadão na busca pelo bem comum aponta, portanto, um caminho fundamental de trabalho com nossos estudantes.

Na terceira e quarta seções do questionário, avaliamos em conjunto atitudes e comportamentos dos estudantes por meio de afirmações que descrevem ações ligadas à sustentabilidade. Vale ressaltar que a grande maioria das respostas não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre as séries analisadas. Avaliamos que:

•98% consideram a reciclagem como fundamental para a sustentabilidade;

•89% dos estudantes afirmam que sempre costumam reciclar no seu dia a dia;

•98% dos estudantes consideram que apagar a luz de cômodos onde não há ninguém é muito importante para a sustentabilidade;

•83% afirmam que sempre apagam a luz de cômodos vazios no seu dia a dia;

•89% consideram que comprar somente o essencial é muito importante para a sustentabilidade, porém, quanto mais velho o estudante avaliado, mais difícil se torna comprar apenas o essencial em seu dia a dia.

Questões como reciclagem, economia de água e luz parecem estar bem incorporadas ao dia a dia dos estudantes avaliados. Entretanto, quando esbarramos na questão do consumo, o cenário se altera sensivelmente.

Um caminho possível

Por muitos anos na minha carreira docente ouvi estudantes dizerem que “o fubá vem do bolo” e “o leite vem da caixinha”. Pode parecer engraçado na hora, mas essas afirmações acabam refletindo a desconexão dos jovens com a natureza.

De acordo com nossos resultados, o tema do consumo parece merecer destaque em projetos envolvendo o tema sustentabilidade, tanto por sua relevância na vida dos estudantes, como por permitir a construção de projetos que efetivamente abordem a complexidade envolvida na construção de um mundo mais sustentável.

Vamos considerar ainda mais três motivos que justificam esse enfoque:

•Segundo o IBGE (2010), 84% da população brasileira é urbana e, em geral, alheia ao impacto ambiental, social e econômico de seu consumo;

•Segundo o Ibope, mais de R$ 300 milhões são investidos em propaganda para estimular o consumo entre os jovens por ano;

•Consumo é um tema naturalmente interdisciplinar, promovendo a participação de diferentes áreas do conhecimento e estimulando a prática do ensino por projetos, que tendem a ser mais desafiadores e interessantes para estudantes e professores.

Em resumo, precisamos ensinar aos nossos jovens desde muito cedo que todo consumo gera um impacto econômico, social e ambiental. E, mais importante que isso, que TER não é a mesma coisa que SER.

Como fonte de inspiração, sugiro o documentário Criança, a alma do negócio, dirigido por Estela Renner.

O futuro

As gerações futuras devem ser educadas sobre como colaborar com a construção de um mundo mais sustentável desde agora, para que se tornem criticamente competentes e capazes de tomar decisões positivas do ponto de vista individual e coletivo.

Acredito que para iniciarmos de verdade uma Educação para a Sustentabilidade, um dos caminhos apontados pela nossa pesquisa é o de procurar explorar a complexidade de temas menores e ao mesmo tempo significativos para os estudantes e professores envolvidos.
Aparentemente, tratando-se de Educação para a Sustentabilidade, menos é mais.

O caminho trilhado no Reino Unido, na Escócia, no Canadá, nos Estados Unidos e na Austrália por meio das green schools já é antigo e conta com inúmeras investigações e experiências de sucesso, que vão desde a adaptação do currículo em função do tema sustentabilidade até a capacitação de professores e rearranjo completo da arquitetura escolar.

No Brasil, a história da sustentabilidade ligada à educação pode ser ainda considerada experimental – como o que acabei de apresentar – e conta com praticamente nenhum apoio nos documentos oficiais da educação básica.

Enquanto isso, vale novamente a coragem, a criatividade e a vontade de construir um futuro melhor para todos, marca registrada dos educadores brasileiros.

Para finalizar, gostaria de citar uma vez mais John Huckle: “… o papel chave da Educação para a Sustentabilidade é o de ajudar as pessoas a refletirem e agirem […] e vislumbrarem futuros alternativos de uma forma mais consciente e democrática”.

Referências

BOFF, L. Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir. Disponível em http://pousio.blogspot.com/2011/06/leonardo-boff-sustentabilidade-e.html. Consultado em 21-07-2011.

HUCKLE, J. & STERLING, S. Education for Sustainability. Earthscan Publications Limited: London, 2001.

RICKETTS, G. M. The roots of sustainability, Acad. Quest. 23, 2010, pp. 20-53.

Educação ou comunicação para a conservação e sustentabilidade?

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Extraído do artigo Educação ou Comunicação Persuasiva em Conservação?, de Silvio Marchini (Oeco, 11 de agosto de 2011).

“Se de um lado a educação visa promover, a longo prazo, uma ética de conservação que se traduza em um modo de vida ambientalmente responsável, de outro a comunicação para a conservação tem como objetivo modificar, a curto prazo, comportamentos específicos”

“Por ter um foco mais estreito, a comunicação é mais efetiva que a educação em mudar comportamentos específicos. Uma prova disso é o padrão de consumo dos jovens: são principalmente os profissionais de marketing (os grandes especialistas em mudança de comportamento) que, por meio da propaganda, definem – de forma específica – o que e quanto os jovens vão comprar, apesar das repetidas lições dos educadores ambientais sobre como o consumo – de forma geral – ameaça o meio ambiente. Por outro lado, o simples termo “modificar comportamento” pode causar desconforto em alguns círculos. O uso de métodos persuasivos e a comunicação parcial dos fatos, tipicamente usado em propaganda para influenciar comportamentos, pode ser interpretado como doutrinamento ou, no mínimo, como uma indesejável imposição de valores. Isso suscita questionamentos acerca da legitimidade dessa abordagem, especialmente entre os educadores acostumados a pensar na pedagogia como ferramenta de libertação e de autonomia.”

“A conservação da biodiversidade, no entanto, é uma disciplina que tem seus valores próprios. Enquanto a ecologia se alinha com a noção tradicional de que “ciência é neutra” e trata estritamente de desvendar a verdade por trás do mundo natural sem fazer juízo de valor, a conservação, por outro lado, nasceu em resposta a um problema – a perda de biodiversidade – e tem como missão resolvê-lo. Enquanto em ecologia não existe o bem e o mal, nem melhor e pior, a conservação possui uma ética particular, sintetizada por Aldo Leopold em A Ética da Terra (no clássico A Sand County Almanac) como “uma coisa está certa quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica; está errada quando tem a tendência inversa”. Errado em conservação é o comportamento humano que ameaça a biodiversidade. Portanto, o papel do educador e comunicador conservacionista é, por definição, usar a educação e a comunicação para mudar o comportamento humano em benefício da biodiversidade.”

CLIQUE AQUI para ler o artigo na íntegra.