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Archive for agosto 2011

Oficina “Planejamento e Avaliação de Ações em Educação Ambiental”

Os coordenadores da Escola da Amazônia, Silvio Marchini e Edson Grandisoli, comandaram dentro do II Encontro Internacional de Educação aplicada à Conservação e Sustentabilidade no Zoológico de São Paulo, a oficina “Planejamento e Avaliação de Ações em Educação Ambiental“.

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A oficina abordou por meio de aulas expositivas e práticas conceitos e métodos fundamentais para o desenvolvimento de ações em Educação Ambiental.

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No primeiro dia de oficina, os participantes tiveram a oportunidade de compreender sobre a importância de conhecer o público por meio da utilização de conceitos das Ciências Sociais, mais especificamente da Psicologia Social.

No segundo dia de oficina, o foco foi nas etapas de realização de pesquisas formativas, na criação de campanhas em educação & comunicação e na etapa vital de como avaliar a efetividade dos projetos, ponto fraco da grande maioria dos projetos de Educação Ambiental.

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Para saber mais sobre esse curso e outros promovidos pela Escola da Amazônia, entre em contato com

Silvio Marchini – silvio@escoladaamazonia.org
Edson Grandisoli – edson@escoladaamazonia.org

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Educação para a Sustentabilidade

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por Edson Grandisoli

Publicado no site ENVOLVERDE28-07-2011

Como liberdade, justiça e democracia, sustentabilidade
não possui um significado comum a todos
.”
John Huckle – Education for Sustainability (2001).

O conceito

A palavra sustentabilidade tem sido utilizada nos últimos anos nos mais diferentes contextos e propósitos. Por esse fato, muitos autores têm afirmado que falar em sustentabilidade simplesmente perdeu o sentido, ou seja, se tornou apenas mais um jargão em discursos politicamente corretos.

Leonardo Boff, um dos participantes na elaboração da Carta da Terra, afirma que “se a sustentabilidade representa o lado mais objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota mais seu lado subjetivo: as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo, sem os quais a própria sustentabilidade não acontece ou não se garante a médio e longo prazos”.

As palavras de Boff trazem consigo uma das características centrais do conceito de sustentabilidade: a complexidade. O conceito moderno de sustentabilidade engloba, ao mesmo tempo, aspectos econômicos, sociais, ambientais, éticos, étnicos, políticos, culturais e comportamentais, os quais devem interagir de forma harmônica a fim de garantir a continuidade da vida no planeta, incluindo a nossa própria. Dessa forma, o conceito de sustentabilidade tornou-se a palavra de ordem – e a tábua de salvação – em quase todos os assuntos relacionados ao ser humano, seu ambiente, sua sociedade, sua economia, etc.

Dentro desse panorama, não é a toa que a palavra pode ter perdido seu significado original ao longo do tempo.

Entendendo sustentabilidade

A sustentabilidade tem ganhado espaço dentro da realidade de algumas poucas escolas no Brasil. As restrições do currículo atual, a falta de preparo específico e a grande amplitude do tema talvez sejam apenas alguns dos motivos por trás desse fato.

Na prática escolar, as possibilidades de trabalho com temas relacionados à sustentabilidade são quase infinitas. Mas afinal, como trabalhar com sustentabilidade na escola?

Movido por essa questão, em 2010, tive o privilégio de desenvolver, como consultor em conjunto com um grupo interdisciplinar de professores, um questionário com 40 questões (abertas e fechadas) sobre sustentabilidade, que foi aplicado a 113 estudantes do Ensino Fundamental II (6º a 9º anos) de uma grande escola paulistana. O objetivo do questionário foi investigar de forma mais consistente o que os jovens pensam e entendem sobre sustentabilidade e quais suas atitudes e comportamentos relacionados a ela. Considerei esse passo de investigação fundamental antes de iniciarmos qualquer tipo de intervenção em sala de aula ou fora dela.

Os resultados foram bastante animadores e gostaria de compartilhar alguns deles.

Na primeira seção do questionário, procuramos investigar como a sustentabilidade está presente no imaginário dos estudantes. Encontramos que:

•96% já ouviram falar em sustentabilidade;

•65% não estão inteiramente certos de seu significado;

•91% acreditam que todos deveriam agir de forma sustentável.

Logo de saída foi possível detectar uma aparente contradição relacionada à sustentabilidade. A grande maioria dos estudantes acredita que é importante agirmos de forma sustentável, mesmo sem saber exatamente o que é sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que essa contradição parece negativa do ponto de vista conceitual, ela indica que o termo sustentabilidade está associado a algo positivo, que deve ser buscado e alcançado por todos.

Na segunda seção, procuramos investigar mais profundamente a compreensão dos estudantes relacionada ao conceito de sustentabilidade em si. Descobrimos que:

•71% acreditam que sustentabilidade tem como objetivo a preservação do meio ambiente e seus recursos naturais;

•Apenas um estudante apontou a si mesmo(a) como protagonista no processo de transformação do mundo em um lugar mais sustentável.

A forte associação entre sustentabilidade e preservação do meio ambiente não foi surpresa. Os melhores e mais divulgados exemplos de sustentabilidade sempre – ou na grande maioria das vezes – estão associados a uma vertente ambientalista/preservacionista/conservacionista, o que acaba resumindo o conceito de sustentabilidade a modos de melhorar a relação entre ser humano e natureza. Esse resultado vai ao encontro das ideias de Ricketts (2010), que afirma que historicamente o conceito de sustentabilidade nasceu de uma combinação de ideias e ideais do ambientalismo.

Por outro lado, apesar da visível preocupação com as questões ambientais presente no currículo escolar e documentos oficiais que norteiam nossa educação básica, as questões relacionadas à responsabilidade individual e cidadania ainda parecem distantes do pensamento e sentimento da esmagadora maioria dos estudantes avaliados. Somente um único estudante citou a si próprio(a) como responsável por tornar o mundo um lugar mais sustentável, ou seja, a responsabilidade e protagonismo está nas mãos de atores como o governo, as ONGs e os donos de indústrias, por exemplo. Esse distanciamento do papel de cidadão na busca pelo bem comum aponta, portanto, um caminho fundamental de trabalho com nossos estudantes.

Na terceira e quarta seções do questionário, avaliamos em conjunto atitudes e comportamentos dos estudantes por meio de afirmações que descrevem ações ligadas à sustentabilidade. Vale ressaltar que a grande maioria das respostas não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre as séries analisadas. Avaliamos que:

•98% consideram a reciclagem como fundamental para a sustentabilidade;

•89% dos estudantes afirmam que sempre costumam reciclar no seu dia a dia;

•98% dos estudantes consideram que apagar a luz de cômodos onde não há ninguém é muito importante para a sustentabilidade;

•83% afirmam que sempre apagam a luz de cômodos vazios no seu dia a dia;

•89% consideram que comprar somente o essencial é muito importante para a sustentabilidade, porém, quanto mais velho o estudante avaliado, mais difícil se torna comprar apenas o essencial em seu dia a dia.

Questões como reciclagem, economia de água e luz parecem estar bem incorporadas ao dia a dia dos estudantes avaliados. Entretanto, quando esbarramos na questão do consumo, o cenário se altera sensivelmente.

Um caminho possível

Por muitos anos na minha carreira docente ouvi estudantes dizerem que “o fubá vem do bolo” e “o leite vem da caixinha”. Pode parecer engraçado na hora, mas essas afirmações acabam refletindo a desconexão dos jovens com a natureza.

De acordo com nossos resultados, o tema do consumo parece merecer destaque em projetos envolvendo o tema sustentabilidade, tanto por sua relevância na vida dos estudantes, como por permitir a construção de projetos que efetivamente abordem a complexidade envolvida na construção de um mundo mais sustentável.

Vamos considerar ainda mais três motivos que justificam esse enfoque:

•Segundo o IBGE (2010), 84% da população brasileira é urbana e, em geral, alheia ao impacto ambiental, social e econômico de seu consumo;

•Segundo o Ibope, mais de R$ 300 milhões são investidos em propaganda para estimular o consumo entre os jovens por ano;

•Consumo é um tema naturalmente interdisciplinar, promovendo a participação de diferentes áreas do conhecimento e estimulando a prática do ensino por projetos, que tendem a ser mais desafiadores e interessantes para estudantes e professores.

Em resumo, precisamos ensinar aos nossos jovens desde muito cedo que todo consumo gera um impacto econômico, social e ambiental. E, mais importante que isso, que TER não é a mesma coisa que SER.

Como fonte de inspiração, sugiro o documentário Criança, a alma do negócio, dirigido por Estela Renner.

O futuro

As gerações futuras devem ser educadas sobre como colaborar com a construção de um mundo mais sustentável desde agora, para que se tornem criticamente competentes e capazes de tomar decisões positivas do ponto de vista individual e coletivo.

Acredito que para iniciarmos de verdade uma Educação para a Sustentabilidade, um dos caminhos apontados pela nossa pesquisa é o de procurar explorar a complexidade de temas menores e ao mesmo tempo significativos para os estudantes e professores envolvidos.
Aparentemente, tratando-se de Educação para a Sustentabilidade, menos é mais.

O caminho trilhado no Reino Unido, na Escócia, no Canadá, nos Estados Unidos e na Austrália por meio das green schools já é antigo e conta com inúmeras investigações e experiências de sucesso, que vão desde a adaptação do currículo em função do tema sustentabilidade até a capacitação de professores e rearranjo completo da arquitetura escolar.

No Brasil, a história da sustentabilidade ligada à educação pode ser ainda considerada experimental – como o que acabei de apresentar – e conta com praticamente nenhum apoio nos documentos oficiais da educação básica.

Enquanto isso, vale novamente a coragem, a criatividade e a vontade de construir um futuro melhor para todos, marca registrada dos educadores brasileiros.

Para finalizar, gostaria de citar uma vez mais John Huckle: “… o papel chave da Educação para a Sustentabilidade é o de ajudar as pessoas a refletirem e agirem […] e vislumbrarem futuros alternativos de uma forma mais consciente e democrática”.

Referências

BOFF, L. Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir. Disponível em http://pousio.blogspot.com/2011/06/leonardo-boff-sustentabilidade-e.html. Consultado em 21-07-2011.

HUCKLE, J. & STERLING, S. Education for Sustainability. Earthscan Publications Limited: London, 2001.

RICKETTS, G. M. The roots of sustainability, Acad. Quest. 23, 2010, pp. 20-53.

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Educação ou comunicação para a conservação e sustentabilidade?

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Extraído do artigo Educação ou Comunicação Persuasiva em Conservação?, de Silvio Marchini (Oeco, 11 de agosto de 2011).

“Se de um lado a educação visa promover, a longo prazo, uma ética de conservação que se traduza em um modo de vida ambientalmente responsável, de outro a comunicação para a conservação tem como objetivo modificar, a curto prazo, comportamentos específicos”

“Por ter um foco mais estreito, a comunicação é mais efetiva que a educação em mudar comportamentos específicos. Uma prova disso é o padrão de consumo dos jovens: são principalmente os profissionais de marketing (os grandes especialistas em mudança de comportamento) que, por meio da propaganda, definem – de forma específica – o que e quanto os jovens vão comprar, apesar das repetidas lições dos educadores ambientais sobre como o consumo – de forma geral – ameaça o meio ambiente. Por outro lado, o simples termo “modificar comportamento” pode causar desconforto em alguns círculos. O uso de métodos persuasivos e a comunicação parcial dos fatos, tipicamente usado em propaganda para influenciar comportamentos, pode ser interpretado como doutrinamento ou, no mínimo, como uma indesejável imposição de valores. Isso suscita questionamentos acerca da legitimidade dessa abordagem, especialmente entre os educadores acostumados a pensar na pedagogia como ferramenta de libertação e de autonomia.”

“A conservação da biodiversidade, no entanto, é uma disciplina que tem seus valores próprios. Enquanto a ecologia se alinha com a noção tradicional de que “ciência é neutra” e trata estritamente de desvendar a verdade por trás do mundo natural sem fazer juízo de valor, a conservação, por outro lado, nasceu em resposta a um problema – a perda de biodiversidade – e tem como missão resolvê-lo. Enquanto em ecologia não existe o bem e o mal, nem melhor e pior, a conservação possui uma ética particular, sintetizada por Aldo Leopold em A Ética da Terra (no clássico A Sand County Almanac) como “uma coisa está certa quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica; está errada quando tem a tendência inversa”. Errado em conservação é o comportamento humano que ameaça a biodiversidade. Portanto, o papel do educador e comunicador conservacionista é, por definição, usar a educação e a comunicação para mudar o comportamento humano em benefício da biodiversidade.”

CLIQUE AQUI para ler o artigo na íntegra.

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